sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

A teimosia

 Olá :)

hoje venho falar vos do meu maior defeito / virtude: a teimosia (ou persistência, é a mesma coisa mas mais atual).

Desde muito cedo que tive gosto por aprender. Nem importava muito o quê ou para quê, simplesmente tudo o que fosse novidade eu gostava de aprender. Na casa dos meus pais havia muitos assuntos. Ser criada no campo, numa casa de agricultores, exige saber um pouco de tudo. E eu com a sede que sempre tive, tinha uma curiosidade imensa.

Mas, a lavoura foi abrindo portas para o artesanato. A minha mãe sabia fazer renda e aprendi a manejar as agulhas ainda antes de saber escrever, usava os fios dos sacos da ração do gado porque o algodão era caro. Mas aquilo ainda não era para mim. Sabia-me o resultado a algo muito monocromático, ou branco ou branco.

Com o crescer, fui percebendo que havia ainda o meio ponto, o ponto de cruz, as bainhas aberta, o famoso "richelieu" e os arraiolos. E foi aqui que o mundo parou. O ponto de arraiolo é um desafio constante. 

Mas a vida ganha ritmos alucinantes e é preciso adiar alguns saberes. Aos 18 anos, a minha mãe ofereceu-me um kit de tela, desenho e linhas mas aquilo era uma maratona maior que as minhas pernas e rapidamente percebi que dificilmente ia concluir o tapete. E assim aconteceu, o desgraçado ainda hoje espera pelas minhas mãos.

Quando achei que era hora... os conhecimentos na minha cabeça pareciam um novelo de linhas entrelaçadas. Na minha cabeça, arraiolos era mais ou menos ponto cruz mas na prática as dúvidas eram imensas. Pedi ajuda mas as pessoas que me tentaram ajudaram, deixaram me com muito mais duvidas do que respostas. Então o desgraçado, voltou para o fundo do armário.

Em Abril de 2025, os arraiolos voltaram a incomodar-me. Tinha mesmo de aprender aquilo, não era possível que tivesses desistido, não me permitia a tal. Peguei no tapete novamente, 30 anos depois, e senti que não conseguia começar por ali. Precisa de algo mais simples para aprender.

Antes que a vontade voltasse a desistir de mim, encontrei na "net" uma loja online e mandei vir um novo kit (tela, linhas, desenho e agulhas). Assim mesmo no impulso, próprio de uma menina mimada.



Chegou dia 21 de Abril de 2025. Desde desse dia até hoje, vários projetos se meteram no caminho e todos eles mais urgentes. Mas o tapete, nunca saiu de cena e cada 5 minutos de espera, eram mais uns pontos de andamento. 

E ganhou a persistência. Ao fim de 30 anos saiu finalmente o meu primeiro tapete de arraiolos. Simples, sem franja, com um ou outro erro e com uma enorme dedicação típica de quem quer aprender a fazer bem.


Agora, estou em condições de pegar no outro, e oferecer à minha mãe o orgulho de ver a prenda que me deu com tanto esforço, terminada. 
Que Deus me ajude para que ela ainda o consiga ver quando o terminar.

Viva a teimosia 💪😊

Fontes:
- o material do tapete foi comprado na Arriolar 
- o Professor de serviço foi e incansável Ricardo Santos que não sabendo que eu existo, me explicou vezes sem conta os mesmos passos e as mesmas dúvidas. A ele, que não conheço, sou extremamente grata pelos conhecimentos partilhados.


Presépio em ponto Cruz

Um miminho para uma amiga.
Não era isto que estava planeado. 


Já com o trabalho iniciado, meti-lhe a tesoura, arranquei tudo fora e sai uma peregrinação a Belém. 

Foi um trabalho manual mas de muita introspeção. Foram pontos e pontos dados numa alma que há muito preciso de umas costuras.
No final, saíram 2 trabalhos. Uma toalha Presépio de 1x1m e uma alma renovada.


Obrigada. 💖

Materiais:
- a toalha era da minha amiga mas pode comprar numa retrosaria. É linho com faixa própria para bordar, quadrilé;

- Linha DMC 231, trabalhei a 3 fios porque a tela é larga.

- Tesoura e agulha sem bico.